Frente Feminista organiza ação contra violência sexista

Na noite de ontem, dia 19, a Frente Feminista USP organizou uma ação contra a violência  às mulheres. O motivo foi uma agressão realizada por um estudante da Biologia contra uma garota que não aceitou ficar com ele em uma festa. A manifestação foi feita em frente ao CaBio (Centro Acadêmico dos estudantes de Biologia da USP); o agressor  não estava presente.

Quando  questionado sobre o ocorrido, o estudante afirmou achar natural bater em mulheres, e depois ainda disse ser o menos machista da história, porque supostamente trataria as mulheres como iguais, logo, não haveria problema em agredi-las.

Abaixo, o texto do panfleto que foi entregue, e fotos da ação:

Frente Feminista alerta: machismo na USP!

Na quinta-feira do dia 12 de abril, durante a festa “Quinta i breja”, na ECA, o estudante Luis Felipe da Biologia, conhecido como Vaca, que vende bebidas em festas na USP, agrediu fisicamente uma mulher que se recusou a ficar com ele.

Atitudes como essa são fruto do machismo, que reduz as mulheres a objetos sexuais sempre a disposição dos homens, que ignora que as Mulheres são sujeitas pensantes e devem ter total autonomia de seus corpos.

Infelizmente, ocorrências como essa não são raras em festas na Universidade de São Paulo, que espelham esse pensamento desde os cartazes com mulheres seminuas até o extremo de uma violência física ou verbal.

Nenhuma agressão ficará sem resposta!
Somos mulheres e não mercadoria!

Frente Feminista USP

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Um Comentário

  1. Flavia Martins

    Estou estarrecida com uma atitude como a desse menino. Estudei na Bio e fui do CABIO em 1994. A Bio naquele tempo tinha um “trote” bastante leve, do qual poucos participavam, inclusive, pois pra maioria não havia muita diferença entre essa e qualquer outra festa na Bio, em geral vinha o CABIO, Atlética, juntos davam meia duzia de pessoas, junto com alguns estudantes, normalmente do 2o ano. Pintava-se os ingressantes com guache, para não causar problemas de intoxicação ou de pele, e sempre tendo o consentimento do calouro. Eu cheguei, naqueles anos a ver o trote na odonto, onde o clima de humilhação, coação e o comportamento de hooligan dos veteranos era alarmante. Aquilo simplesmente não era possível na Bio, pois mesmo que houvesse um trol enrustido, não havia clima para que ele se manifestasse. O povo da Bio tinha um estilo de ser na boa que era muito distinto. Lembro-me de uma recepção que um guri chamado D…inhas (o diminutivo pq ele era gordão e tinha uns 2m de altura o figura) apareceu com um tesourão daqueles de jardinagem profissional. Ele era desses grandões que não fazem mal nem a uma mosca, e só queria dar susto nos calouros e jurou que nao ia encostar em ninguém. Eu acreditava no D…inhas, ele realmente era um cara de paz com um senso de humor brincalhão, quase de palhaço. Mas eu disse “nao dá, cara, não pega bem” (cá pra mim eu pensava no que os outros alunos iam pensar, se o D…inhas tropessasse com aquela tesoura). Ele nem discutiu: me entregou a mesma “posso pelo menos fazer cara de mau?” eu digo “e cê tem uma?”. Eu conto isso por que o D…inhas e eu não eramos diferentes do resto do povo da Bio. Pro povo chegando, a gente deixava eles chegarem na boa, sem pular em cima. Davamos informações, folhetos, dizíamos que a gente estava feliz de recebê-los, perguntava de onde eram, falávamos do curso, dos transportes, da cervejada (que também era um evento pequeno, pois a gente da Bio não sofria dessa neura de mega-evento… o povo da Bio era ‘cool’, nem mesmo fazia muita questão de conhecer mais gente – calouro ou não, pois não se sofria, naquela época de mania de integração… a Bio era assim: tinha lanchonete, tinha o espaço de convivência, e as pessoas agiam sem pressa de conhecer ninguém, nem de “azarar”). Teve um ano, me contavam os meus veteranos, em que o “trote” foi não ter trote: as pessoas, dizem, curtiram a idéia, e foi até mais gente que a meia dúzia de costume, só pra ficar por ali ignorando os bixos. Esse era um trote bem comentado. Acho que não era só eu, mas todos, que tínhamos um orgulho (discretamente disfarçado, como se não fosse nada). Tínhamos orgulho de ser diferentes, de ser blasé e de não sermos um bando de babuínos babantes no cio. Eu olhava pro que a odonto, a medicina, a poli, e mesmo a geologia faziam e sentia orgulho dos trotes da bio, dos quais ninguém nem ouvia falar. Nunca me senti desrespeitada, nem como mais nova, nem como mulher. Fico me perguntando se a Bio mudou, com esse novo prédio de clima muito colegial para uma geração que estudou nas salas espalhadas pelos prédios do IB. Fico me perguntando se a Bio perdeu seu caráter para virar mais uma faculdade habitada por turbas de bebedores de coca-cola, fãs de Big-Brother. Talvez essas sejam angústias de uma velha, talvez essas transformações sejam inevitáveis. Eu prefiro acreditar que não são. Talvez a Bio precise recobrar sua memória. Uma memória que a faça refletir sobre sua identidade. Um grande abraço a tod@s vocês que não aceitam que a única forma de ser é aquela que é engolida junto com outros tantos enlatados dos mega-eventos às propagandas machistas de cerveja e mulher de biquine para consumo masculino.

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