Nota de repúdio aos casos de machismo ocorridos no Movimento Estudantil

A Frente Feminista da USP, em conjunto com demais coletivos e grupos feministas, vem por meio desta nota repudiar os casos de machismo ocorridos recentemente no Movimento Estudantil da USP.

Alguns dias depois da Assembleia Geral d@s estudantes da USP, ocorrida no dia 14 março e que foi conduzida por duas mulheres e um homem diretores do DCE, uma das componentes da mesa relatou um caso de machismo vindo de um estudante bastante ativo no Movimento Estudantil. O militante do PCO André Sarmento encontrou-a nos corredores da FFLCH e disse coisas como “da próxima vez, coloca um homem na mesa que garante melhor” e “não é porque você é mulher que eu não posso partir pra cima”. O relato da companheira foi divulgado entre as mulheres que se organizam dentro do ME através de grupos auto-organizados, mas André Sarmento e demais militantes de sua organização, tiveram acesso a esse relato, e o divulgaram em diversos grupos do Facebook. A partir disso, tanto o agressor, quanto sua organização, passaram a constranger a militante que sofreu a agressão e todas as outras mulheres que hoje compõe a atual gestão do DCE-Livre da USP, além de tentarem deslegitimar o Coletivo Marias Baderna – grupo feminista que fez a denúncia – e suas integrantes. Argumentaram que as organizações que compõem o DCE prostituem seus militantes, e que praticam a famosa “tática 2” (conseguir militantes através da sedução e de relacionamentos pessoais) para conseguir novos militantes. Além disso, ainda escreveram uma nota no site nacional do PCO, colocando a foto da companheira que sofreu a agressão e enfatizando a tática 2 como método utilizado pelo DCE.

A postura do PCO e de seus militantes demonstra a falta de respeito que essa organização tem com as mulheres militantes. Este tipo de declaração reforça o estereótipo vigente de que as mulheres não tem capacidade de fazer debate político e que precisam usar da sedução para conseguir convencer um homem de algum argumento.

Historicamente, as mulheres têm dificuldades de se postularem como figuras públicas nos espaços políticos, por existir muito machismo em espaços como esse e por seres formadas desde seu nascimento a se restringirem aos espaços privados da vida, reservando a vida pública aos homens. Não são poucos os relatos de mulheres que foram desrespeitadas em espaços dos movimentos sociais, por não ser “duras” o suficiente, por não terem a firmeza para defenderem uma política. Felizmente, muitas das organizações que constroem o ME da USP tem mostrado que combatem as opressões cotidianamente, participando de datas importantes como o 8 de março, mas também construindo os espaços auto-organizados. Ter duas mulheres na mesa de uma assembleia geral é um ótimo exemplo disso, e reivindicamos que cada vez mais as mulheres tomem os espaços políticos para si, sem medo de serem constrangidas. O machismo no ME e em espaços políticos no geral deve ser combatido cotidianamente, e todas organizações políticas devem tomar essa tarefa para si. Quando casos de machismo, como esse de André Sarmento e do PCO, acontecem no ME, é papel das organizações e de todos ativistas da universidade repudiar tais ações e garantir que construiremos espaços cada vez mais livres de opressões.

Acreditamos que o combate às opressões e ao machismo está acima de qualquer disputa política. A Frente Feminista da USP, por exemplo, é composta por setores do movimento estudantil e  militantes independentes que muitas vezes têm discordâncias na construção política cotidiana. Independente de nossas posições dentro do ME ou até mesmo nacionalmente, nós combatemos o machismo conjuntamente, sem que diferenças do movimento estudantil atrapalhem nossa organização e nosso debate. O combate às opressões deve ser feito no ME, e não devemos aceitar que a esquerda reproduza o machismo que tanto combatemos no dia a dia. Posturas como essa do PCO devem ser repudiadas, e é importante deixar claro que se fosse qualquer outra organização política iríamos repudiar também. Não há favorecimento e perseguição a nenhuma organização de esquerda que atue na USP, porque enquanto existir o machismo em nossos espaços, nós continuaremos na luta.
 
Assinam esta nota:

Amorcrusp – Gestão Crusp Popular
Cahis
Camat
Caer
FEMEH – SP
Frente LGBTT da USP
Juventude Libre
Levante Popular da Juventude
Marcha Mundial das Mulheres
Coletivo Construção
Juntas – a luta das mulheres muda o mundo
Coletivo Feminista Yabá (puc-sp)
Coletivo Feminista Três Rosas (puc-sp)
Frente Feminista (puc-sp)
Mulheres do Rompendo Amarras
Coletivo Feminista Marias Baderna
Cefisma
União Juventude e Rebelião 
Guima
Juliana Moura Bueno
Lincoln Secco 
Coletivo Para além dos muros – Construindo a ANEL
CEGE
CAF
ANEL
Núcleo de gênero do CALC
Coletivo Libido (de Gênero e Sexualidade da UNICAMP)
Coletivo “Temos a Dizer: Basta!”
ExNEL (Executiva Nacional de Estudantes de Letras)
Centro Acadêmico XXV de Janeiro 
Coletivo Feminista Lélia Gonzalez
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Um Comentário

  1. a assembleia da geo aprovou assinar a nota também

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