Nota sobre o caso de agressão ocorrido na festa “Choque de Monstros”, no dia 12/02

No dia 12/02, durante a festa “Choque de Monstros”, uma estudante foi agredida fisicamente por um homem por ter reagido, em legítima defesa, a uma série de agressões verbais e assédios que ele vinha fazendo a ela e a suas amigas. O ocorrido foi divulgado não só pela vítima, que deu seu relato, como também pelo movimento de mulheres do qual ela faz parte. Sendo assim, essa nota tem como objetivo engrossar o coro de apoio à vítima dessa e de qualquer outra agressão sofrida por mulheres em festas e espaços da Universidade, uma vez que temos consciência de que não se trata de um caso isolado, de colocar o posicionamento da Frente Feminista em relação a repercussão e divulgação do acontecido e também de fazer mais algumas considerações sobre outros procedimentos adotados pelos organizadores da festa.

Sabemos das dificuldades de evitar que casos como esse ocorram. Não à toa, Comissões de Segurança organizadas por mulheres*, sejam elas de coletivos feministas, diretoras de Centros Acadêmicos ou estudantes, estão se tornando algo comum nas festas. Na “Choque de Monstros”, festa organizada pelo CAELL, CAHIS e CAVC, havia uma Comissão de Segurança que atuou durante a festa inteira e, mesmo assim, houve um caso de agressão que deixou uma mulher ferida. Entendemos que de forma alguma ele aconteceu por negligência das mulheres que compunham tal Comissão, mas sim por descaso da reitoria, que se recusa a dialogar com o movimento de mulheres da universidade  para por em prática medidas concretas de combate à violência contra a mulher. Para não sermos repetitivas, indicamos a leitura da outra nota soltada e assinada pela Frente Feminista: https://www.facebook.com/mulheresparaalemdosmuros/photos/a.568915289874450.1073741828.568186706613975/709914262441218/?type=1&theater .

Ao mesmo tempo, é extremamente importante fazer uma crítica também à repercussão dessa festa pelos centros acadêmicos. Enquanto a mulher agredida expunha seu relato, os diretores dos três CAs organizadores estavam comemorando o suposto sucesso da festa, com a justificativa de que estavam esperando alguma nota sobre a agressão para ser assinada. Apenas o setorial de mulheres do CAELL se posicionou, através de um breve esclarecimento divulgado em sua página no Facebook. A Frente Feminista gostaria de ressaltar que embora os CAs tenham assinado a nota, nenhuma festa com relatos de assédio e agressão física, em que a atmosfera do espaço não é segura para as mulheres, pode ser considerada um sucesso em qualquer medida. A ampla divulgação dos pontos bons da festa não apaga a violência contra a mulher.

Ainda mais problemático foi a notícia que recebemos de que os CAs contrataram terceirizadas para realizar a limpeza do local após a festa. A terceirização é mais uma das muitas faces da violência contra a mulher. A maioria das pessoas empregadas são mulheres negras, extremamente mal remuneradas e super exploradas. A contratação desse tipo de serviço em uma festa estudantil é inaceitável e a Frente Feminista se posiciona, mais uma vez, contra a terceirização.

Outro fator que gostaríamos de levantar nessa nota é a importância que os centros acadêmicos devem dar à luta contra o machismo na universidade. Isso não se dá apenas com a assinatura de notas repudiando casos de agressão, que são, sim, de grande importância, mas isoladamente acabam sendo um gesto meramente formal. É preciso que as gestões de CAs se comprometam com a luta das mulheres, construindo espaços para debater conjuntamente a nossa realidade na universidade, tendo posturas que ouçam nossas revindicações (o contrário do que foi, por exemplo, a contratação de terceirizadas para a limpeza da festa) e fortalecendo os coletivos de curso e a própria Frente Feminista. Somente assim continuaremos avançando.

Fazemos um chamado, então, para todas as mulheres* das gestões de Centros Acadêmicos da USP a seguirem na luta pelo combate à violência contra a mulher e se somarem ao lançamento da nossa campanha “Chega de violência contra a mulher: por uma USP feminista!”, dia 4/3, no Auditório da Faculdade de Educação (horário a definir). Vamos nos organizar para ampliarmos ainda mais nossa luta em 2015! Machistas não passarão!

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